Valeu Boi!!! Durante muito tempo foi assim, foram 20 anos, e assim pelo menos uma vez no ano e durante três noites o Valentina se vestia de alegria.
Com nossa estima nas alturas, nossa gente, se acostumou a esperar esse evento e ai quando de sua chegada, o Valentina se transformava, um velho chapéu guardado desde o outro ano, uma bota surrada e uma calça jeans nova, mulheres o dia inteiro no salão, e nossa comunidade se contagiava, invadidos que éramos por essa estrutura, que pelo menos uma semana antes já começava a mobilizar o Valentina, o passa – passa de caminhões repletos de bois, os ônibus das bandas, os Shows a noite a locução marcante durante o dia, o fato de ter “boi na pista”, sem dúvida nenhuma, alterava nossa rotina, mexia com o Valentina.
Claro que devemos respeitar o contraditório e existem aqueles que serão sempre contra eventos desta natureza, principalmente em razão do barulho que rasga as madrugadas, como já dissemos, é respeitável tal entendimento contudo é inegável a importância que esta festa tinha para a economia de nosso bairro.
Aliás, não só para a economia, a “Festa do Cawboi”, era o momento em que aparecíamos para os outros bairros, para nossa cidade, nosso Estado, para todo o Brasil, quantos de nós não sabemos de um ou outro pessoense, amigo ou colega de outro bairro que se diz conhecer o Valentina porque aqui já veio justamente na época de uma vaquejada.
Nosso bairro enfrenta há décadas uma segregação discriminatória causada por uma imagem negativa que lhe foi atribuída, que faz com que, mesmo sendo um bairro que na sua essência é construído por pessoas ordeiras e apesar de ultimamente ser crescente os índices de violências, ainda o somos relativamente pacatos e tendo uma boa parte de suas ruas calçadas e saneadas que obedecem uma estrutura padronizada, mesmo assim o Valentina ainda é visto por muitos lá fora, “riquinhos” medíocres e desavisados, com ares de “favela”.
Neste sentido, o “cowboy” também tinha essa função social, fazia do Valentina, na época de sua festa, uma vitrine e por muitas vezes fez-se desmistificar estigmas negativos que contra nosso bairro foram construídos.
Sendo assim, sem boi, nem pista o resultado é inevitavelmente zero e o Valentina que ao longo de sua História acostumou-se a acomodadamente perder, perde mais essa e assim como já o foi com tantas outras estruturas, sejam elas físicas, repartições públicas, empresas privadas ou de eventos, vão embora deixando só a saudade e o vazio curioso de um bairro que está entre os que mais cresce em termos populacional sem conseguir, todavia, de forma atrelada alavancar sua economia e nem mesmo um mínimo espaço de entretenimento.
O palco onde já subiram, Victor e Léo, Zezé de Camargo e Luciano e tantos outros fenômenos da música brasileira que noutrora sacudiram o Valentina, cederá lugar aos andaimes, da construção civil que rapidamente erguem prédios que contraditoriamente realizam sonhos, qual seja o da casa própria, ao mesmo tempo que se propõe somente a amontoar gente, sucumbindo antigas áreas verdes ou de e de lazer. Quanto ao Valentina só nos resta agora lutar pela permanência do 5º Batalhão, da Fundação Bradesco e do CPDAC, dada a importância dessas três estruturas no atendimento de nossa População e no engrandecimento lá fora de nosso bairro.
Normando Júnior – Advogado e Colaborador deste Jornal
O exemplo é um forte elemento na educação das crianças, à família, os professores e até mesmo os apresentadores dos programas infantis de televisão têm enorme responsabilidade sobre seus gestos e atitudes, cujas características são cuidadosamente apreendidas pelos pequenos. As crianças são como esponjas, quando colocadas em água suja, absorvem água suja, e se colocadas em água limpa, absorverão naturalmente água limpa.
E neste contexto a exagerada exposição midiatica do nudismo atrelado a conteúdos pornográficos e fúteis em horários impróprios, além do sensacionalismo dos telejornais que exibem a todo custo e independente do impacto causado, cenas sanguinárias, grotescamente violentas de um mundo deteriorado e sem Deus, contribui de uma forma ou de outra para a formação de neo - delinquentes.
Nas crianças, a absorção que se tem dos conteúdos que formarão o seu caráter e atitude comportamental futura é de forma subliminar, sendo assim, aquele pequeno que acompanha cenas de bebedeira e violência e desrespeito dentro do ente familiar, além de com freqüência assistir programas que instigam a violência e o desrespeito ao próximo, terão consequentemente tendência maior a se tornarem violentos, servindo no futuro de soldados recrutados para darem continuidade ao já tão conturbado clima em que vivemos de deterioramento da vida, sublime Bem que Deus nos deu, engajados na promiscuidade, nas drogas e na criminalidade.
Desta feita numa nação em que as crianças podem tudo, e o menor pode até matar com a certeza da impunidade, a televisão a tudo exibe, e a “eterna rainha dos baixinhos” é uma cidadã que antes da fama até filmes pornográficos fez e quando um filho quis ter não preocupou-se em constituir uma família, assim preferindo contratar um reprodutor, e se por outro lado o Ministério Público, Guardião da Lei, luta para erradicar o trabalho infantil ao invés de educar o menor para o trabalho, como será o amanhã? responda quem souber!
De certo que é mais fácil erradicar o trabalho infantil de que erradicar as drogas, pois se as crianças tendem a repetir aquilo que os adultos fazem, e estes por sua vez, estimulados pela massificação midiatica têm preferido a bebedeira, as festas, as farras, o futebol, a agressividade, os feriados de que o trabalho, alucinados e alienados pelo um mundo fútil de celebridades instantâneas e valores passageiros; é bem mais fácil de fato extrair da criança o desejo de trabalhar de que o desejo de tomar cachaça dançando o reboleixon.
Sendo assim, muitos fatos e comportamentos servem de pretexto para que reflitamos sobre nossas atitudes diante de nossos filhos, pequenos aprendizes, e a idéia de auto policiar-se, em pequenos gestos, palavras e omissões pode e muito contribuir para construirmos uma sociedade futura mais educada, pois somos espelhos para nossos filhos, e quando se evita ser pornográfico, agressivo, estar embriagado, por exemplo, ou até mesmo jogar o lixo do carro pela janela, é no intuito de inibir neles também tais atitudes no futuro, fazendo com que “absorvam água limpa”, e mensagens positivas, e assim quando adultos tenham como referencia não só aquilo que falamos mais principalmente aquilo que praticamos no passado ou que nunca nos viram fazer.
Por fim, resta uma pequena mensagem, cujo autor é desconhecido:
"A tigela de madeira"
Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velhinho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de se alimentar. Ervilhas rolavam de sua colher e caíam no chão. Quando pegava o copo, o leite era derramado na toalha da mesa.
O filho e a nora irritaram-se com a bagunça. - “Precisamos tomar uma providência com respeito ao papai”, disse o filho. - “Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.” Então, eles decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. E desde que o velhinho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora passara a ser servida numa tigela de madeira.
Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes, ele tinha lágrimas em seus olhos. Mesmo assim, as únicas palavras que lhe dirigiam eram de admoestações ásperas quando ele deixava um talher ou alimento cair ao chão.
O menino de quatro anos de idade assistia a tudo em silêncio. Numa noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança: - “O que você está fazendo?” O menino respondeu docemente: - “Ah! Estou fazendo uma tigela para você e mamãe comerem quando eu crescer”. O garoto sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que estes ficaram mudos. Então lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
Embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente o conduziu à mesa da família. Dali para frente e até o final de seus dias o senhor fez todas as refeições com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando o garfo caía, o leite era derramado ou a toalha da mesa ficasse suja.
Normando Júnior – Advogado e Colaborador deste Jornal
O Pensamento Pequeno dos Grandes Políticos
A Macro Política na Paraíba, sempre foi manipulada por atitudes pequenas, desavenças, picuinhas, e interesses particulares, de um grupo, ou de uma família, mantiveram-se sempre bastante relevante e como bandeira de campanha para o Cenário Político de nosso Estado.
Neste ínterim, desde a morte de João Pessoa, estopim de uma revolução, todavia, nascida não de um ideal de transformação social e justiça, mas ao que tudo indica, de uma possível infidelidade, esta apartidária, passando por tantos outros fatos notórios, como o caso Guillever, a ciumeira dos fogos que rachou o PMDB de outrora e fez surgir dois grupos distintos, os atuais adversários postulantes ao Governo do Estado, aliados inseparáveis de um passado não tão distante, além das constantes rachas do PT – PB que vez por outra parece está por se dissolver, nos leva a crer que a Política na Paraíba só tem dois lado: O Cordão Azul e O Encarnado.
E assim de acordo com as conveniências pessoais, dentro da ideologia do quem da mais nossa classe política tem procurado sempre se estabilizar no comando dos poderes, estando tanto de um lado como do outro, todavia sem voltar o olhar verdadeiramente para o social e a construção de um a Paraíba mais prospera e competitiva que possa em pé de igualdade concorrer com nossos vizinhos Estados.
Diante deste cenário, podemos afirmar que nosso povo mantém uma postura conformista, sendo de vital importância à conscientização da necessidade da atuação combativa da sociedade, questionando e cobrando dos políticos que atuem diretamente em prol de causas sociais, abdicando dos anseios estritamente pessoais, e assim sociedade e classe política se articularia de todas as maneiras possíveis para tentar suprir as inúmeras insuficiências e falhas do poder público constituído.
Uma maior mobilização de todas as camadas da sociedade somadas à vontade política e à conscientização da necessidade da substituição dos interesses mesquinhos pela ética e pela moral como norteadores da ação política podem nos indicar um caminho na busca da construção de uma sociedade mais igualitária e decente.
Normando Júnior – Advogado e Colaborador deste Jornal